domingo, 3 de abril de 2011

EU NÃO ENTENDO MAIS O QUE LEIO!

Parece que eu li na IstoÉ dessa semana que os nossos nobres juízes pretendem entrar em greve no próximo dia 27 se não aumentarem seus salários dos míseros R$26.000,00 mensais que recebem, para R$30.000,00 mensais! Quem será essa autoridade cruel que se recusa a pagar-lhes R$360.000,00 por ano, e quer obrigá-los a continuarem com seus parcos R$312.000,00 anuais? Aliás, parece que são "autoridades cruéis", no plural, porque a mesma notícia dizia que os juízes pretendem processar os congressistas por omissão, se eles não votarem o tal aumento. Já vimos tudo? Imaginemos, então, uma sentença judicial determinando no quê alguém deva votar!

Falar em sentenças, lembro de decretos; e lembro de uma história bastante conhecida e repetida de que o Imperador do Japão, no século XIX, ao traçar a estratégia para sua nação alcançar rapidamente o desenvolvimento técnico e industrial do ocidente, determinou, decretou, que ninguém poderia ganhar mais que o mestre-escola. Todo mundo sabe que esse era o nome do professor primário na época; hoje em dia, também conhecido como "professor do ensino fundamental". E fez mais: como todo mundo era obrigado a reverenciar o Imperador, ele decretou que dali em diante o mestre-escola seria o único ser dispensado dessa reverência; e, mais ainda: o Imperador é quem se curvaria em reverência ao professor primário.

Já pensou se os nossos congressistas resolvessem realmente catapultar nosso país para o rol dos desenvolvidos, e fizessem um decreto semelhante: ninguém, nem mesmo um juiz, poderá ganhar mais que um professor primário? E, mais, determinassem que os juízes ficariam obrigados a chamarem os professores primários de "meritíssimos" e "excelências"?

Mas, como tudo vai ficar do jeito que está, eu fico pensando se esses mesmos juízes terão coragem, a partir de maio, de decretarem a ilegalidade de uma greve dos professores primários pleiteando elevação do seu piso salarial de R$600, para R$900. Ou mesmo de R$1.000 para R$1.500, no caso de Curitiba, que é o maior do Brasil.

E o bobo aqui fica comentando essas coisas, arriscando se indispor com gente tão nobre e operosa. Seguramente, eu não li direito a notícia. Ou, como se trata da primeira semana de abril...

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