EU TENHO UM SONHO
Um sonho de poder.
Meu sonho de poder
Era obrigar todas as autoridades,
De todos os poderes,
Em todos os níveis,
A colocarem seus filhos
Em escola pública.
Aos que já o fazem: meus parabéns!
Meu sonho de poder
Era obrigar todo juiz de direito
Estadual ou federal
A abastecer seus automóveis
Nos postos aos quais desse liminar
De reabertura,
Quando fechados por fraude.
Aos que já o fazem: meus parabéns!
quinta-feira, 26 de junho de 2008
quinta-feira, 19 de junho de 2008
quarta-feira, 18 de junho de 2008
A LÓGICA ATUAL
Certo, tenente; isso não se faz. Você não pode deixar o sangue subir à cabeça só porque uns jovens funqueiros o desacataram numa abordagem, e prendê-los. E você tem que obedecer seu capitão. Se o capitão, atrás da mesa, de cabeça mais fria, viu que não era nada e mandou soltar, solta! Não pode dizer "eu cágo prêste capitão!" Você já deve estar aprendendo agora que deus castiga quem "cága pro seu capitão". Outra coisa que você deve estar aprendendo também é que os traficantes do morro da mineira têm o direito líquido, certo e legítimo de matarem seus desafetos. Pelo menos é o que se depreende, e o que você aprende, das reações. Ninguém, nenhum político, congressista, jurista, oabista, mpesista, jornalista, ou seja lá que ista for, está condenando e pedindo a prisão dos assassinos dos três meninos do morro da providência. A própria polícia disse que não vai lá no morro da mineira procurar os assassinos. É como se eles fossem os lobos de um fosso onde os viquingues jogassem ingleses. Quem pensaria em condenar os lobos? Os assassinos, claro, eram os viquingues! Assim, os traficantes. A sociedade já dá como favas contadas seu direito de matarem os rivais. Homicida é quem solta moço de um morro no outro.
Certo, tenente; isso não se faz. Você não pode deixar o sangue subir à cabeça só porque uns jovens funqueiros o desacataram numa abordagem, e prendê-los. E você tem que obedecer seu capitão. Se o capitão, atrás da mesa, de cabeça mais fria, viu que não era nada e mandou soltar, solta! Não pode dizer "eu cágo prêste capitão!" Você já deve estar aprendendo agora que deus castiga quem "cága pro seu capitão". Outra coisa que você deve estar aprendendo também é que os traficantes do morro da mineira têm o direito líquido, certo e legítimo de matarem seus desafetos. Pelo menos é o que se depreende, e o que você aprende, das reações. Ninguém, nenhum político, congressista, jurista, oabista, mpesista, jornalista, ou seja lá que ista for, está condenando e pedindo a prisão dos assassinos dos três meninos do morro da providência. A própria polícia disse que não vai lá no morro da mineira procurar os assassinos. É como se eles fossem os lobos de um fosso onde os viquingues jogassem ingleses. Quem pensaria em condenar os lobos? Os assassinos, claro, eram os viquingues! Assim, os traficantes. A sociedade já dá como favas contadas seu direito de matarem os rivais. Homicida é quem solta moço de um morro no outro.
sexta-feira, 13 de junho de 2008
ORÁCULO FALAZ
Quando estou navegando pela vida distraído,
é fácil acreditar que posso me conhecer;
afinal, eu sou o sujeito, e assim me identifico
em relação ao outro, o objeto; ou outros;
mas, se tento me conhecer, eu me torno objeto;
ainda que de mim mesmo;
e sendo objeto, eu sou o outro;
só que esse outro, que analisa o eu, é que sou eu!
então, toda vez que eu projeto um dado
de mim mesmo para análise,
isto já se torna objeto, já se torna outro,
e eu permaneço incólume, indevassado,
incognoscível; pois qualquer pensar sobre mim
me torna o outro que eu já não sou,
enquanto continuo sendo o eu que sempre flui.
Quando estou navegando pela vida distraído,
é fácil acreditar que posso me conhecer;
afinal, eu sou o sujeito, e assim me identifico
em relação ao outro, o objeto; ou outros;
mas, se tento me conhecer, eu me torno objeto;
ainda que de mim mesmo;
e sendo objeto, eu sou o outro;
só que esse outro, que analisa o eu, é que sou eu!
então, toda vez que eu projeto um dado
de mim mesmo para análise,
isto já se torna objeto, já se torna outro,
e eu permaneço incólume, indevassado,
incognoscível; pois qualquer pensar sobre mim
me torna o outro que eu já não sou,
enquanto continuo sendo o eu que sempre flui.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
ONDE ANDA O BOM SELVAGEM?
Ferve a imprensa: índios ferem a facão engenheiro civil (civil nos dois sentidos) que expunha resultados técnicos; índios violentam funcionário em invasão de unidade da funai (o funcionário pensou em processar o governo mas recuou com medo da exposição; claro). O que está havendo com o bom selvagem tão decantado, de Rousseau a Villasboas? Além de violento é pervertido? Ficou assim, corrompido pelo branco; ou já havia razão de serem, os tapuias dos planaltos, odiados pelos gentis tupis do litoral? Será que já antes do descobrimento os tapuias não violentavam os tupis? De qualquer forma, está havendo um recrudescimento. E tudo indica que há instigantes. Povos que destruíram seu meio-ambiente arvoram-se no direito de dizer que não sabemos gerenciar o nosso. Como não sabemos gerenciá-lo, se ele, o nosso meio, está ainda aí sujeito a discussões, enquanto que o deles não existe nem em sombra do que já foi? Os brancos americanos massacraram os bravos das planícies. Mataram homens, mulheres, crianças e velhos. Praticavam tiro-ao-alvo nas crianças que corriam assustadas das aldeias invadidas: está em seus próprios livros de história. Agora, os descendentes desses criminosos instigam o nosso índio contra os "civilizados" brasileiros (brancos, negros e também índios aculturados); talvez para levar-nos a uma guerra (como ameaçou o caiapó, repetindo o que aprendeu com os gringos), e a guerra a um massacre que não os deixasse solitários na culpa herdada de seus pais. E o sueco, com cidadania inglesa, que vende proteção ecológica que não fornece? Os incautos europeus contribuem com trinta e cinco libras para proteger um acre, recebem um folder com benefícios que os arrecadadores teriam feito aos nativos, mas quando se vai pesquisar o que se vê é um mateiro sozinho "fiscalizando" centenas de milhares de hectares em troca de meio salário mínimo brasileiro. Quanto sobra de mais-valia em cada contribuição? Assim, até brasileiro analfabeto viraria milionário.
Parece que são dois os mitos que caem no limiar do século: o do bom selvagem, e o do europeu honesto.
Ferve a imprensa: índios ferem a facão engenheiro civil (civil nos dois sentidos) que expunha resultados técnicos; índios violentam funcionário em invasão de unidade da funai (o funcionário pensou em processar o governo mas recuou com medo da exposição; claro). O que está havendo com o bom selvagem tão decantado, de Rousseau a Villasboas? Além de violento é pervertido? Ficou assim, corrompido pelo branco; ou já havia razão de serem, os tapuias dos planaltos, odiados pelos gentis tupis do litoral? Será que já antes do descobrimento os tapuias não violentavam os tupis? De qualquer forma, está havendo um recrudescimento. E tudo indica que há instigantes. Povos que destruíram seu meio-ambiente arvoram-se no direito de dizer que não sabemos gerenciar o nosso. Como não sabemos gerenciá-lo, se ele, o nosso meio, está ainda aí sujeito a discussões, enquanto que o deles não existe nem em sombra do que já foi? Os brancos americanos massacraram os bravos das planícies. Mataram homens, mulheres, crianças e velhos. Praticavam tiro-ao-alvo nas crianças que corriam assustadas das aldeias invadidas: está em seus próprios livros de história. Agora, os descendentes desses criminosos instigam o nosso índio contra os "civilizados" brasileiros (brancos, negros e também índios aculturados); talvez para levar-nos a uma guerra (como ameaçou o caiapó, repetindo o que aprendeu com os gringos), e a guerra a um massacre que não os deixasse solitários na culpa herdada de seus pais. E o sueco, com cidadania inglesa, que vende proteção ecológica que não fornece? Os incautos europeus contribuem com trinta e cinco libras para proteger um acre, recebem um folder com benefícios que os arrecadadores teriam feito aos nativos, mas quando se vai pesquisar o que se vê é um mateiro sozinho "fiscalizando" centenas de milhares de hectares em troca de meio salário mínimo brasileiro. Quanto sobra de mais-valia em cada contribuição? Assim, até brasileiro analfabeto viraria milionário.
Parece que são dois os mitos que caem no limiar do século: o do bom selvagem, e o do europeu honesto.
quinta-feira, 29 de maio de 2008
LUCAS E O PÉ DE FEIJÃO
Meu neto colheu o seu feijão. Está todo contente. Ele tem quatro anos. Um dia, na sua escola, a professora ensinou as crianças a plantarem cada uma sua semente de feijão em algodão úmido. Quando a semente se abriu e a plantinha surgiu, ele a olhava com a mesma interrogação que as crianças olham os passes de mágica. Entusiasmado, replantou-a num pequeno canteiro de flores no quintal. O tempo passou e, ontem, lá estava ele, compenetrado e feliz abrindo as vagenzinhas secas e retirando as novas sementes, saudáveis, brilhantes e bonitas. Separou as poucas que não vingaram, dizendo, em sua inocência: "Estas não cresceram; mas ainda vão crescer". Outras ele usou numa nova semeadura, no mesmo canteiro, antevendo o milagre da terra multiplicá-las por duzentos. A produção apurada deu metade de uma tigelinha dessas usadas prá sobremesa, que ele entregou à vovó: "Bá (como se fala vó em japonês), você cozinha prá mim?"
Ante as notícias de escassez de alimentos eu vejo brotar a esperança quando um garotinho de quatro anos consegue produzir seu almoço.
Meu neto colheu o seu feijão. Está todo contente. Ele tem quatro anos. Um dia, na sua escola, a professora ensinou as crianças a plantarem cada uma sua semente de feijão em algodão úmido. Quando a semente se abriu e a plantinha surgiu, ele a olhava com a mesma interrogação que as crianças olham os passes de mágica. Entusiasmado, replantou-a num pequeno canteiro de flores no quintal. O tempo passou e, ontem, lá estava ele, compenetrado e feliz abrindo as vagenzinhas secas e retirando as novas sementes, saudáveis, brilhantes e bonitas. Separou as poucas que não vingaram, dizendo, em sua inocência: "Estas não cresceram; mas ainda vão crescer". Outras ele usou numa nova semeadura, no mesmo canteiro, antevendo o milagre da terra multiplicá-las por duzentos. A produção apurada deu metade de uma tigelinha dessas usadas prá sobremesa, que ele entregou à vovó: "Bá (como se fala vó em japonês), você cozinha prá mim?"
Ante as notícias de escassez de alimentos eu vejo brotar a esperança quando um garotinho de quatro anos consegue produzir seu almoço.
terça-feira, 27 de maio de 2008
PRÁ QUEM LEU "GRANDE SERTÃO - VEREDAS"
(leitura imperdível)
ELE
Ele era carne muita e calor bravo
Brasa quente que enfrenta orvalho frio
Na peleja derrubando ente pravo
Atravessa em si mesmo o baldo rio
Grande sertão, veredas, fundo cavo
Vence fugindo sempre de desvio
Permanece de estranho amor escravo
Dor índia que ilaqueia o desafio
Não fosse sua gente tão confusa
Não fosse ele tão cego de conceito
Na certa soltaria a fala oclusa
E invés de a bala abrir para o desfeito
Buscava além da imagem sua musa
Explodindo a paixão dentro do peito.
João Donha – anos 90.
(leitura imperdível)
ELE
Ele era carne muita e calor bravo
Brasa quente que enfrenta orvalho frio
Na peleja derrubando ente pravo
Atravessa em si mesmo o baldo rio
Grande sertão, veredas, fundo cavo
Vence fugindo sempre de desvio
Permanece de estranho amor escravo
Dor índia que ilaqueia o desafio
Não fosse sua gente tão confusa
Não fosse ele tão cego de conceito
Na certa soltaria a fala oclusa
E invés de a bala abrir para o desfeito
Buscava além da imagem sua musa
Explodindo a paixão dentro do peito.
João Donha – anos 90.
MAIS UM POUCO DE POESIA
ECLESIASTES
Vaidade de vaidades, disse o Eclesiastes.
Que proveito tiras tu, ó trabalhador,
Do trabalho com que sempre te desgastaste
Debaixo do sol, a não ser a tua dor?
O sol nasce todo dia e torna a se por
Uma geração vem, outra geração parte
Por mais que pense não se livra do Criador
Filosofia, religião, ciência e arte.
Na calha do tempo se esvai inveja e amor
Seja puro ou pecador, não ilude a sorte
A tragédia com mais furor atinge o forte.
E por mim, que se dane burro ou pensador
Tudo é vaidade, pois que seja como for
Sábio e insensato encontram a mesma morte.
João Donha – anos 90.
ECLESIASTES
Vaidade de vaidades, disse o Eclesiastes.
Que proveito tiras tu, ó trabalhador,
Do trabalho com que sempre te desgastaste
Debaixo do sol, a não ser a tua dor?
O sol nasce todo dia e torna a se por
Uma geração vem, outra geração parte
Por mais que pense não se livra do Criador
Filosofia, religião, ciência e arte.
Na calha do tempo se esvai inveja e amor
Seja puro ou pecador, não ilude a sorte
A tragédia com mais furor atinge o forte.
E por mim, que se dane burro ou pensador
Tudo é vaidade, pois que seja como for
Sábio e insensato encontram a mesma morte.
João Donha – anos 90.
POVO, UM MERO DETALHE
É incrível a falta de auto-crítica das elites brasileiras. Como elas se esforçam, ainda que inconsciente, ou, até, atavicamente, para alijar o povo dos processos legislativos ou decisórios. Não me refiro apenas a elites econômicas. Refiro-me a essas e, também, a lideranças sindicais; a políticos, mesmo egressos das camadas mais pobres; a funcionários públicos e militares; enfim, a qualquer um que tenha poder sobre a população; ou poder maior que a população. O exemplo principal é o próprio processo constituinte: cada vez menos democrático com o passar do tempo. Sim, porque o de 1986 afastou o povo do debate muito mais que o de 1946. E, de forma disfarçada; o que o torna pior do que o abertamente autoritário de 1967. Em 1986, as elites, ao invés de convocarem uma assembleia constituinte que realmente passasse o país a limpo, preferiram dar poderes constituintes a um congresso eleito da mesma forma que sempre: currais eleitorais, trocas de favores, parlamentares que aprovariam o orçamento. Enfim, tudo o que desmotivasse e afastasse o povo do debate sobre leis, na hora de escolher seu candidato. Alem de ilegítima e refém de interesses corporativos, a constituição ficou vulnerável a fraudes (ver: http://paginas.terra.com.br/educacao/adrianobenayon/fraudeac.html). Para completar a ilegitimidade, com medo do retorno dos militares, outorgaram a constituição sem aprovação em referendum popular. Já discuti este assunto exaustivamente na maior praça pública da nossa atualidade, o site de relacionamentos Orkut, na comunidade "Revitalização da Lei no Brasil", tópico "A Constituição é ilegítima".
Aqui, porem, pretendo me referir a acontecimentos mais recentes. Ao esvaziamento do legislativo. Ou, melhor, ao auto-esvaziamento. O povo elege seus deputados e senadores para elaborarem e aperfeiçoarem constantemente as leis que nos dirigem. E o que fazem os senhores senadores e deputados? Delegam cada vez mais poderes legislativos aos juízes do supremo, que não foram eleitos com nenhum voto popular. O legislativo é a caixa de ressonância dos anseios populares. Os interesses da população devem ser ali debatidos até que, por votação, decidam o que e como se transforma em leis. Os senhores juízes que passem daí a julgar conforme essas leis; ou seja, conforme a vontade soberana da população. A decisão da maioria dos legisladores, deveria ser a decisão da maioria da população. Mas, na prática, o que vem acontecendo? A minoria derrotada recorre ao supremo tribunal, e um punhado de homens e mulheres que não representam efetivamente os desejos e anseios da população, serão os autorizados a legislarem. Como todo poder vicia e cega, já podemos ver os juízes se arrogando o direito legislativo, como fez o chefe do supremo no recente episódio do ressuscitamento da cpmf (poucos gostariam de ter aumento de impostos; mas, compete ou não ao povo a decisão?): "por qualquer meio que o congresso recrie a cpmf, será questionada aqui no supremo". Ou dando a senha para que a oposição impeça as obras do pac na justiça; julgando antecipadamente.
Só seremos um povo livre quando retirarmos das mãos de cocheiros espúrios as rédeas de nosso destino.
Deveríamos construir uma democracia direta, onde assuntos como pesquisas com células tronco embrionárias ou criação de impostos, seriam objetos de plebiscito!
É incrível a falta de auto-crítica das elites brasileiras. Como elas se esforçam, ainda que inconsciente, ou, até, atavicamente, para alijar o povo dos processos legislativos ou decisórios. Não me refiro apenas a elites econômicas. Refiro-me a essas e, também, a lideranças sindicais; a políticos, mesmo egressos das camadas mais pobres; a funcionários públicos e militares; enfim, a qualquer um que tenha poder sobre a população; ou poder maior que a população. O exemplo principal é o próprio processo constituinte: cada vez menos democrático com o passar do tempo. Sim, porque o de 1986 afastou o povo do debate muito mais que o de 1946. E, de forma disfarçada; o que o torna pior do que o abertamente autoritário de 1967. Em 1986, as elites, ao invés de convocarem uma assembleia constituinte que realmente passasse o país a limpo, preferiram dar poderes constituintes a um congresso eleito da mesma forma que sempre: currais eleitorais, trocas de favores, parlamentares que aprovariam o orçamento. Enfim, tudo o que desmotivasse e afastasse o povo do debate sobre leis, na hora de escolher seu candidato. Alem de ilegítima e refém de interesses corporativos, a constituição ficou vulnerável a fraudes (ver: http://paginas.terra.com.br/educacao/adrianobenayon/fraudeac.html). Para completar a ilegitimidade, com medo do retorno dos militares, outorgaram a constituição sem aprovação em referendum popular. Já discuti este assunto exaustivamente na maior praça pública da nossa atualidade, o site de relacionamentos Orkut, na comunidade "Revitalização da Lei no Brasil", tópico "A Constituição é ilegítima".
Aqui, porem, pretendo me referir a acontecimentos mais recentes. Ao esvaziamento do legislativo. Ou, melhor, ao auto-esvaziamento. O povo elege seus deputados e senadores para elaborarem e aperfeiçoarem constantemente as leis que nos dirigem. E o que fazem os senhores senadores e deputados? Delegam cada vez mais poderes legislativos aos juízes do supremo, que não foram eleitos com nenhum voto popular. O legislativo é a caixa de ressonância dos anseios populares. Os interesses da população devem ser ali debatidos até que, por votação, decidam o que e como se transforma em leis. Os senhores juízes que passem daí a julgar conforme essas leis; ou seja, conforme a vontade soberana da população. A decisão da maioria dos legisladores, deveria ser a decisão da maioria da população. Mas, na prática, o que vem acontecendo? A minoria derrotada recorre ao supremo tribunal, e um punhado de homens e mulheres que não representam efetivamente os desejos e anseios da população, serão os autorizados a legislarem. Como todo poder vicia e cega, já podemos ver os juízes se arrogando o direito legislativo, como fez o chefe do supremo no recente episódio do ressuscitamento da cpmf (poucos gostariam de ter aumento de impostos; mas, compete ou não ao povo a decisão?): "por qualquer meio que o congresso recrie a cpmf, será questionada aqui no supremo". Ou dando a senha para que a oposição impeça as obras do pac na justiça; julgando antecipadamente.
Só seremos um povo livre quando retirarmos das mãos de cocheiros espúrios as rédeas de nosso destino.
Deveríamos construir uma democracia direta, onde assuntos como pesquisas com células tronco embrionárias ou criação de impostos, seriam objetos de plebiscito!
quarta-feira, 21 de maio de 2008
DEUS, UM DELÍRIO?
No prefácio do livro “Deus, um delírio”, do Richard Dawkins, ele escreve: “Se este livro funcionar do modo como pretendo, os leitores religiosos que o abrirem serão ateus quando o terminarem”. Desafio tentador. Mas, há um erro na pretensão. É possível ser teísta e não-religioso. Ou, é possível abrir o livro como teísta e religioso, e terminá-lo não-religioso, não obstante, continuar acreditando em Deus. Eu mesmo, abri o livro sendo, de certa forma, ateu; pois, não acredito em nenhum dos deuses, ou das concepções de Deus que por aí existem. Não acredito nem mesmo na ausência de Deus, dos budistas. Nem no Deus de Spinoza. Não acredito que Deus tenha dito a Moisés, Maomé, Lucas ou Mateus, qualquer coisa que não tivesse dito também a mim. Por isso, creio em Deus à minha maneira. À maneira da minha ignorância. Pois, não sei como ele é, nem o que realmente quer, ou o que pretendeu fazendo o mundo, se é que o fez. No entanto, creio o suficiente para me encontrar esgrimindo contra ele, na torre, nos momentos de revolta ou dúvida. Ou para encontrar consolo numa prece, nos momentos de angústia e dor. Como nada sei sobre ele, não acredito que alguém o saiba e possa me ensinar, por mais velhos e sacralizados sejam seus escritos. Também não aconselho a ninguém crer à minha maneira: somos iguais, cada um erre por si. Ou deslize em seu próprio delírio, pra usar a visão do autor. Na verdade, o que Dawkins conseguiu combater muito bem não foi a idéia de Deus; foi a religião. Principalmente a religião organizada, que é o cadáver da religião. E foi um bom e útil combate; por isso recomendo a leitura do livro. De minha parte, posso assegurar que li e fiquei convencido de que Deus existe, mas está muito mal representado na Terra.
No prefácio do livro “Deus, um delírio”, do Richard Dawkins, ele escreve: “Se este livro funcionar do modo como pretendo, os leitores religiosos que o abrirem serão ateus quando o terminarem”. Desafio tentador. Mas, há um erro na pretensão. É possível ser teísta e não-religioso. Ou, é possível abrir o livro como teísta e religioso, e terminá-lo não-religioso, não obstante, continuar acreditando em Deus. Eu mesmo, abri o livro sendo, de certa forma, ateu; pois, não acredito em nenhum dos deuses, ou das concepções de Deus que por aí existem. Não acredito nem mesmo na ausência de Deus, dos budistas. Nem no Deus de Spinoza. Não acredito que Deus tenha dito a Moisés, Maomé, Lucas ou Mateus, qualquer coisa que não tivesse dito também a mim. Por isso, creio em Deus à minha maneira. À maneira da minha ignorância. Pois, não sei como ele é, nem o que realmente quer, ou o que pretendeu fazendo o mundo, se é que o fez. No entanto, creio o suficiente para me encontrar esgrimindo contra ele, na torre, nos momentos de revolta ou dúvida. Ou para encontrar consolo numa prece, nos momentos de angústia e dor. Como nada sei sobre ele, não acredito que alguém o saiba e possa me ensinar, por mais velhos e sacralizados sejam seus escritos. Também não aconselho a ninguém crer à minha maneira: somos iguais, cada um erre por si. Ou deslize em seu próprio delírio, pra usar a visão do autor. Na verdade, o que Dawkins conseguiu combater muito bem não foi a idéia de Deus; foi a religião. Principalmente a religião organizada, que é o cadáver da religião. E foi um bom e útil combate; por isso recomendo a leitura do livro. De minha parte, posso assegurar que li e fiquei convencido de que Deus existe, mas está muito mal representado na Terra.
segunda-feira, 12 de maio de 2008
A CONSTITUIÇÃO E A MACONHA
E foi Deus quem fez nossa constituição? Porque, por certo, o povo é que não foi, alijado que estava do debate direcionado apenas para a formação de um congresso com poderes de influir na distribuição do orçamento, na construção de asfaltos e pracinhas, mas cujos membros iriam cunhar as tábuas da lei maior. Participei de um circo de lonas que alguém armou numa praça para reunir cidadãos e motivá-los à discussão do que se deveria colocar como lei: se havia meia dúzia de gente era muita. Os demais, estavam ocupados em oferecer seus votos aos candidatos que nem pensavam nas leis necessárias, mas, por certo, tinham telhas para os barracos ou cabides vagos de empregos para distribuir. Uma vez eleitos e constituídos, ficaram, os constituintes, reféns da sociedade organizada - eufemismo para corporações -, enquanto que a maioria de nós, indivíduos que têm afazeres e integram a sociedade desorganizada, ficamos órfãos de leis e de liberdade. E, se vi acontecer isto comigo e meus conhecidos, imagine o que não houve com uma plantinha sem consciência, que não sabe nem se existe e prá que existe, mas se vê ameaçada de extinção pela lei dos homens. Esta plantinha sim, com certeza, criada por Deus, que talvez a quisesse como refrigério às vítimas de doenças e tratamentos agressivos, ou para que todos com ela fizessem cordas; mas que acabaram por amarrar-se em proibições e transgressões, num mercado desesperado e violento. Quanto mais proibições, mais transgressões a exigirem mais repressão; e, assim, ganham os que mercadejam a transgressão, mas garante-se o emprego de quem vive da repressão. E a constituição, com mais cláusulas pétreas que as pedras de Hamurabi ou das Doze Tábuas - que eram todas pétreas -, sob o temor de um retorno que impediu até sua submissão a um referendum popular que lhe desse a legitimidade perdida no processo elitista de elaboração, continua, petreamente, sem poder ser questionada pela população, e, portanto, sem poder ser alterada pelo cidadão. Pelo menos foi a desculpa que um integrante da corporação mais beneficiada pela carta deu para proibir a marcha da plantinha: "não podemos cair na anarquia; essa discussão é para ocorrer no congresso, não nas ruas". Estranha democracia, onde a lei não é feita pelo povo e para o povo, que não pode discutí-la nas ruas, mas por quem recebe, sem discussão - ou sob restrições do que pode ou não ser discutido -, uma procuração assinada pelo digitar de alguns números numa caixinha eletrônica. Numa democracia de verdade, os constituintes deveriam receber uma procuração para elaborar as leis, não para outorgá-las; a aprovação final deveria ser feita por quem de direito, através de um referendum.
E foi Deus quem fez nossa constituição? Porque, por certo, o povo é que não foi, alijado que estava do debate direcionado apenas para a formação de um congresso com poderes de influir na distribuição do orçamento, na construção de asfaltos e pracinhas, mas cujos membros iriam cunhar as tábuas da lei maior. Participei de um circo de lonas que alguém armou numa praça para reunir cidadãos e motivá-los à discussão do que se deveria colocar como lei: se havia meia dúzia de gente era muita. Os demais, estavam ocupados em oferecer seus votos aos candidatos que nem pensavam nas leis necessárias, mas, por certo, tinham telhas para os barracos ou cabides vagos de empregos para distribuir. Uma vez eleitos e constituídos, ficaram, os constituintes, reféns da sociedade organizada - eufemismo para corporações -, enquanto que a maioria de nós, indivíduos que têm afazeres e integram a sociedade desorganizada, ficamos órfãos de leis e de liberdade. E, se vi acontecer isto comigo e meus conhecidos, imagine o que não houve com uma plantinha sem consciência, que não sabe nem se existe e prá que existe, mas se vê ameaçada de extinção pela lei dos homens. Esta plantinha sim, com certeza, criada por Deus, que talvez a quisesse como refrigério às vítimas de doenças e tratamentos agressivos, ou para que todos com ela fizessem cordas; mas que acabaram por amarrar-se em proibições e transgressões, num mercado desesperado e violento. Quanto mais proibições, mais transgressões a exigirem mais repressão; e, assim, ganham os que mercadejam a transgressão, mas garante-se o emprego de quem vive da repressão. E a constituição, com mais cláusulas pétreas que as pedras de Hamurabi ou das Doze Tábuas - que eram todas pétreas -, sob o temor de um retorno que impediu até sua submissão a um referendum popular que lhe desse a legitimidade perdida no processo elitista de elaboração, continua, petreamente, sem poder ser questionada pela população, e, portanto, sem poder ser alterada pelo cidadão. Pelo menos foi a desculpa que um integrante da corporação mais beneficiada pela carta deu para proibir a marcha da plantinha: "não podemos cair na anarquia; essa discussão é para ocorrer no congresso, não nas ruas". Estranha democracia, onde a lei não é feita pelo povo e para o povo, que não pode discutí-la nas ruas, mas por quem recebe, sem discussão - ou sob restrições do que pode ou não ser discutido -, uma procuração assinada pelo digitar de alguns números numa caixinha eletrônica. Numa democracia de verdade, os constituintes deveriam receber uma procuração para elaborar as leis, não para outorgá-las; a aprovação final deveria ser feita por quem de direito, através de um referendum.
quarta-feira, 7 de maio de 2008
O MUNDO DÁ VOLTAS
O mundo dá voltas, sabem os físicos há muito tempo. E aprendem os que nem se importam com a matemática. Um órgão da ONU, certamente composto por pessoas que lá estão garantindo altos salários, deu chute em cachorro morto, apressando-se em desgrudar sua imagem do Ronaldinho logo após o escândalo, ainda fumegante, dos travestis. Isto, depois que o moço, a pedido do próprio secretário-geral participou de inúmeras campanhas humanitárias daquele órgão. São voltas do mundo. Ronaldo também, se já não chutou cachorros mortos, os chutou bem agonizantes. Num entrevero, preteriu Cicarelli em favor de um cára nada travestido que lhe disputava a atenção, ostentando um "enfeite" (lembram do Soylent Green?) que era desafeto dela. Logo depois, quando o presidente Lula, acossado por inúmeros escândalos e cpi's, disputando uma desgastante reeleição, fazendo a rotineira relações públicas do presidente em vésperas de copa de mundo, resolveu externar uma brincadeirinha inocente que grassava em todo o país a respeito do peso do Ronaldo, levou em troca uma agressiva e arrogante alusão àquela reportagem apócrifa sobre a cachaça. O próprio interlocutor do presidente na ocasião, o Parreira, gostou de dar seus chutinhos. E, logo num presidente democrático como o Lula. Admiro a coragem de quem chuta pitbuls ou rotivailes em pleno vigor, como o Saldanha fez com o Médici. O presidente mais temido e incensado da nossa história; que autorizava prisões arbitrárias, massacres em câmaras de tortura, e dava-se ao luxo de dizer que era acidente de trabalho quando um torturado morria nas garras de um torturador. Pois bem, esse Médici, acostumado a ver seus desejos atendidos como lei, e os apresentadores de televisão apresentarem seu retrato colorido como luxo, manifestou o desejo de que um jogador, certamente afilhado seu, integrasse a seleção de 70, sob direção do João Saldanha. Este, comunista de quatro costados, respondeu a frase famosa: "O presidente escala o ministério; eu escalo a seleção". Foi demitido no outro dia, com as honras da presença policial em pleno treino. Daí, o Parreira, quando soube que o Lula, falando não como presidente e sim como torcedor, sugeriu um craque, repetiu garboso, sentindo-se um herói, a frase do Saldanha, sem dar o devido crédito da autoria. E os jornalistas presentes, na certa jovens que não conheciam o passado, regalaram-se com a falácia do técnico. Bem disse o Marx, que os fatos históricos costumam acontecer duas vezes: na primeira como tragédia, na segunda como comédia. Logo com Lula, que deixa o Morales mijar no seu sapato, o Chavez desmanchar seu cabelo como se faz com meninos, o juiz dizer que a oposição pode mandar processos que serão bem recebidos no tribunal, o militar criticar políticas indígenas, e continua fazendo humildemente seu trabalhinho econômico, que é só o que a constituição corporativista do país lhe permite fazer. O mundo dá voltas. Quem chuta cachorro morto, encontra seu fila pela frente. Um dia a unicef vai encontrar o dela.
O mundo dá voltas, sabem os físicos há muito tempo. E aprendem os que nem se importam com a matemática. Um órgão da ONU, certamente composto por pessoas que lá estão garantindo altos salários, deu chute em cachorro morto, apressando-se em desgrudar sua imagem do Ronaldinho logo após o escândalo, ainda fumegante, dos travestis. Isto, depois que o moço, a pedido do próprio secretário-geral participou de inúmeras campanhas humanitárias daquele órgão. São voltas do mundo. Ronaldo também, se já não chutou cachorros mortos, os chutou bem agonizantes. Num entrevero, preteriu Cicarelli em favor de um cára nada travestido que lhe disputava a atenção, ostentando um "enfeite" (lembram do Soylent Green?) que era desafeto dela. Logo depois, quando o presidente Lula, acossado por inúmeros escândalos e cpi's, disputando uma desgastante reeleição, fazendo a rotineira relações públicas do presidente em vésperas de copa de mundo, resolveu externar uma brincadeirinha inocente que grassava em todo o país a respeito do peso do Ronaldo, levou em troca uma agressiva e arrogante alusão àquela reportagem apócrifa sobre a cachaça. O próprio interlocutor do presidente na ocasião, o Parreira, gostou de dar seus chutinhos. E, logo num presidente democrático como o Lula. Admiro a coragem de quem chuta pitbuls ou rotivailes em pleno vigor, como o Saldanha fez com o Médici. O presidente mais temido e incensado da nossa história; que autorizava prisões arbitrárias, massacres em câmaras de tortura, e dava-se ao luxo de dizer que era acidente de trabalho quando um torturado morria nas garras de um torturador. Pois bem, esse Médici, acostumado a ver seus desejos atendidos como lei, e os apresentadores de televisão apresentarem seu retrato colorido como luxo, manifestou o desejo de que um jogador, certamente afilhado seu, integrasse a seleção de 70, sob direção do João Saldanha. Este, comunista de quatro costados, respondeu a frase famosa: "O presidente escala o ministério; eu escalo a seleção". Foi demitido no outro dia, com as honras da presença policial em pleno treino. Daí, o Parreira, quando soube que o Lula, falando não como presidente e sim como torcedor, sugeriu um craque, repetiu garboso, sentindo-se um herói, a frase do Saldanha, sem dar o devido crédito da autoria. E os jornalistas presentes, na certa jovens que não conheciam o passado, regalaram-se com a falácia do técnico. Bem disse o Marx, que os fatos históricos costumam acontecer duas vezes: na primeira como tragédia, na segunda como comédia. Logo com Lula, que deixa o Morales mijar no seu sapato, o Chavez desmanchar seu cabelo como se faz com meninos, o juiz dizer que a oposição pode mandar processos que serão bem recebidos no tribunal, o militar criticar políticas indígenas, e continua fazendo humildemente seu trabalhinho econômico, que é só o que a constituição corporativista do país lhe permite fazer. O mundo dá voltas. Quem chuta cachorro morto, encontra seu fila pela frente. Um dia a unicef vai encontrar o dela.
quarta-feira, 30 de abril de 2008
ANTROPOLOGIA E LIBERDADE
Não se trata de idéia fixa, mas de novo ocorreu-me uma dificuldade no ponto de equilíbrio. Desta vez é entre a preservação da cultura indígena e o congelamento daqueles indivíduos numa situação de escravidão. Se não é de escravidão, é muito parecida. Pelo menos é o que me ocorre quando vejo aqueles índios comportados, nus ou semi-nus, cantando, dançando, caçando, e cozinhando em suas choças, quando sei que seus caciques e pajés têm aviões e cercam-se de equipamentos de última geração. Preservar suas culturas não equivale a preservar suas religiões? Teríamos sido todos nós, que nos chamamos civilizados, beneficiados se preservassem nossas religiões? Como seria se alguns antropólogos extra-terrestres nos tivessem convencido a permanecermos apedrejando amores clandestinos na palestina, ou torturando e sendo torturados por inquisidores medievais, com a desculpa de preservar nossa cultura? Afinal, não posso deixar de notar que quem crucificou Jesus foram os pajés, com apoio dos caciques, para que ele não alterasse a ordem vigente, que, obviamente, trazia inúmeras vantagens a eles. Também a inquisição, sem dúvida, foi criada e mantida pelos pajés, de novo com apoio dos caciques, a fim de manter a população quieta e disciplinada, curtindo sua cultura, enquanto eles se mantinham no poder e usufruíam de suas vantagens. Portanto, temos que encontrar o ponto de equilíbrio que nos impeça de desfigurar o índio, transformando-o em um "civilizado" miserável, mas, ao mesmo tempo, não impedí-lo de seguir seus caminhos, traçados pelas suas vontades individuais, livres e soberanas.
Não se trata de idéia fixa, mas de novo ocorreu-me uma dificuldade no ponto de equilíbrio. Desta vez é entre a preservação da cultura indígena e o congelamento daqueles indivíduos numa situação de escravidão. Se não é de escravidão, é muito parecida. Pelo menos é o que me ocorre quando vejo aqueles índios comportados, nus ou semi-nus, cantando, dançando, caçando, e cozinhando em suas choças, quando sei que seus caciques e pajés têm aviões e cercam-se de equipamentos de última geração. Preservar suas culturas não equivale a preservar suas religiões? Teríamos sido todos nós, que nos chamamos civilizados, beneficiados se preservassem nossas religiões? Como seria se alguns antropólogos extra-terrestres nos tivessem convencido a permanecermos apedrejando amores clandestinos na palestina, ou torturando e sendo torturados por inquisidores medievais, com a desculpa de preservar nossa cultura? Afinal, não posso deixar de notar que quem crucificou Jesus foram os pajés, com apoio dos caciques, para que ele não alterasse a ordem vigente, que, obviamente, trazia inúmeras vantagens a eles. Também a inquisição, sem dúvida, foi criada e mantida pelos pajés, de novo com apoio dos caciques, a fim de manter a população quieta e disciplinada, curtindo sua cultura, enquanto eles se mantinham no poder e usufruíam de suas vantagens. Portanto, temos que encontrar o ponto de equilíbrio que nos impeça de desfigurar o índio, transformando-o em um "civilizado" miserável, mas, ao mesmo tempo, não impedí-lo de seguir seus caminhos, traçados pelas suas vontades individuais, livres e soberanas.
terça-feira, 22 de abril de 2008
RIO TEMPO
Eu estou num corpo, que está num barco, que desce um rio.
Saí da fonte para a foz, e estou em meio do caminho.
Para mim, a fonte é o passado e a foz é o futuro.
Se paro ou me volto as coisas se invertem.
Pois a fonte tem águas que ainda não vi,
o que faz que elas sejam o futuro,
enquanto que a foz são águas passadas.
Mesmo quando me movo ao longo do rio,
tendo a fonte como passado,
lá estão surgindo novas águas;
portanto, em meu passado surgem novidades.
Mas as novidades não são coisas do futuro?
Se o futuro é a foz, suas águas podem ter passado por mim;
então meu futuro é conhecido, pois é feito de águas passadas.
Oh, meu Deus, minha vida gira como as voltas deste barco,
tendo o passado e o futuro sempre no presente.
20.2.07
Saí da fonte para a foz, e estou em meio do caminho.
Para mim, a fonte é o passado e a foz é o futuro.
Se paro ou me volto as coisas se invertem.
Pois a fonte tem águas que ainda não vi,
o que faz que elas sejam o futuro,
enquanto que a foz são águas passadas.
Mesmo quando me movo ao longo do rio,
tendo a fonte como passado,
lá estão surgindo novas águas;
portanto, em meu passado surgem novidades.
Mas as novidades não são coisas do futuro?
Se o futuro é a foz, suas águas podem ter passado por mim;
então meu futuro é conhecido, pois é feito de águas passadas.
Oh, meu Deus, minha vida gira como as voltas deste barco,
tendo o passado e o futuro sempre no presente.
20.2.07
domingo, 20 de abril de 2008
Criminalidade e midia
Não é fácil encontrar um ponto de equilíbrio. Um fato incontestável é que nada deve ficar escondido; tudo deve ser revelado. Mas, entre revelar um fato, ou seja, informar, e aproveitar oportunidades criando sensação que alavanque audiências, deve haver um ponto de equilíbrio. Ouvi uma vez que o saudoso Samuel Weiner, na distante década de 50, quando dirigia o jornal Última Hora, de circulação nacional, notou que ao ser noticiado em primeira página um determinado crime ocorrido no Rio, na mesma semana o crime se repetia em outras capitais do país. Determinou, então, aos seus redatores, que não colocassem chamadas das notícias de crimes na primeira página. Atitude ética. O recente caso da menina Isabela elevou a audiência dos telejornais em 46%. Em alguns casos, o destaque dado a certos crimes ocorridos no eixo Rio-São Paulo, permite-nos profetiza-los nas demais capitais e centros menores do país nos dias subsequentes. Em outros casos, a insistência com que exploram o caso, leva a sociedade a um estressamento que anestesia a capacidade de indignação, tendo como conseqüência a vulgarização da violência. Mas, é incontestável que nada deve ficar escondido: tudo deve ser revelado. E não é fácil encontrar um ponto de equilíbrio.
Assinar:
Postagens (Atom)